Já ouviram falar em economia circular?
Eu confesso que só há relativamente pouco tempo, tomei consciência deste novo conceito estratégico. Mas foi amor à primeira leitura. Estou a apreender todos os ensinamentos e benefícios subjacentes a este tipo de economia e claro, quero pô-lo em prática na minha vida.
O 4 ‘R’s’ dos materiais e da energia
Redução
Reutilização
Recuperação
Reciclagem
Um processo integrado que visa o equilíbrio entre a oferta e a procura de recursos naturais. Lembram-se da lei de Lavoisier?
‘Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’
Pois é, a Economia Circular, inspirou-se no saber da Mãe Natureza!
E neste caso também se aplica a Lei da Oferta e da Procura: se a procura supera a oferta o preço tendencialmente aumenta. Mas aqui falamos de um preço demasiado elevado. O desaparecimento dos recursos naturais e consequente extinção da vida!
É evidente, que estando ainda numa fase embrionária de existência, muitas barreiras estão ainda por derrubar, mas julgo que poderá ser um enorme contributo para a sustentabilidade do planeta.
É necessário mudar mentalidades e atitudes. É necessário redesenhar processos e modelos de negócio.
O objetivo é prolongar a vida útil dos produtos e materiais. É reduzir ao máximo o desperdício, como forma de reinventar a nossa relação com os escassos recursos ao nosso alcance, recursos esses, cada vez mais solicitados por uma sociedade insaciável.
‘Regeneração do Capital Natural’
Do velho, ou usado, fazer novo, através de processos simples e também eles, sustentáveis.
Uma nova forma de abordar toda a economia mundial. Novas oportunidades surgem por isso, no horizonte. Mas quebrar paradigmas será tarefa árdua. Infelizmente as evidencias da degradação dos recursos naturais, poderão dar um enorme empurrão à Economia Circular.
Durantes anos, a humanidade olhou à volta da sua zona de conforto, sem visão, sem futuro. Agora que o mundo está mais desperto, há que aproveitar e pôr mãos à obra. Por amor ao planeta, por amor aos nossos descendentes, por amor a nós.
O conceito de partilha também está aqui presente. O que já não me faz falta, pode ajudar muito outra pessoa, então porque deitar no lixo?
Sabem quantas toneladas de lixo se produzem por ano, só na União Europeia?
2,5 mil milhões!!!
É este o resultado do princípio: Produz-Utiliza-Deita fora.
Parece que quando nos afastamos da Natureza, quando a tentamos dominar, só fazemos asneira, não concordam?
Então olhem à vossa volta e se ainda não começaram, arregacem as mangas, há muito trabalho à nossa espera. E tudo leva a crer que não vai ser fácil, mas os resultados esperados, seguramente vão dar-nos a motivação e a energia de que precisamos.
Podemos começar com coisas muito simples, porque descomplicar é também uma ciência.
Passemos então à ação!
Convido-vos a fazer uma visita ao vosso armário das t-shirts. Façam uma escolha. Com certeza vão encontrar umas quantas que, apesar de estarem em bom estado, já não são usadas há muito tempo e outras que alargaram, ou podem estar manchadas e por isso, impróprias para usar. As que estiverem na primeira situação podem ser doadas, com certeza, que darão jeito a outras pessoas. Quanto às que estiverem em mau estado, sugiro que lhes deem uma segunda hipótese. Desta forma podemos prolongar a sua vida útil e assim reduzimos o desperdício.
E se de repente a vossa velha t-shirt se transformar numa bonita e útil base para tachos?
Pois é. Também para mim tudo isto é novo, mas garanto-vos que estou a adorar estas descobertas.
Vamos transformar as nossas velhas camisolas em fio de malha, que depois pode ser usado em muitos trabalhos incríveis.
Para começar, cortamos a t-shirt por baixo das mangas e retiramos também a parte do cós. Ficamos com a parte central, composta por um retângulo fechado, uma espécie de tubo de malha.
Dobra-se quase ao meio, deixando cerca de dois dedos na parte de cima. Agora começamos a cortar tiras com cerca de um dedo de largura. O corte não deve chegar ao fim, devemos deixar a altura de um dedo por cortar.
Abrem-se as tiras. No meio fica a parte da malha que não se cortou.
Vamos agora cortar por forma a separar na totalidade o tecido e formar uma única tira.
O primeiro corte é de fora para dentro na primeira tira, os restantes, devem-se unir os cortes iniciais. Se quiserem, façam umas marcações como uma caneta. O último corte é de dentro para fora.
Agora que já temos uma tira única, com bastantes metros, damos um esticão em toda a sua extensão e a tira enrola naturalmente. Fazemos um novelo e temos matéria-prima para trabalhar.
O ideal é conseguir fios de várias cores. Desta forma fica mais fácil dar asas à imaginação.
Como vos disse, hoje dediquei-me a fazer bases para tachos. Vou explicar a forma como as fiz, mas podem optar por outros caminhos, seguramente que resultado final vai ser espetacular.
A combinação das cores, irá depender do gosto pessoal e dos fios disponíveis.
Para uma base redonda:
Usei ponto baixo, ponto baixíssimo, ponto alto e ponto corrente.
Faz-se uma corrente com 4 malhas e fecha-se. Vamos iniciar agora a primeira carreira.
1ª Carreira-Enchemos a corrente inicial com 8 pontos baixos e fechamos com um ponto baixíssimo.
2ª Carreira-Para fazer os necessários aumentos, por forma a garantir que o trabalho não encolhe, fazemos dois pontos baixos (duplos), em cada ponto da carreira inicial e fechamos com ponto baixíssimo.
3ª Carreira-Alternamos em cada ponto da carreira anterior, um ponto baixo, dois pontos baixos (duplos), até terminar a carreira com um ponto baixíssimo.
4ª Carreira-Alternamos em cada ponto da carreira anterior, um ponto baixo, outro ponto baixo, dois pontos baixos (duplos), até terminar a carreira com ponto baixíssimo.
5ª Carreira-Alternamos em cada ponto da carreira anterior, um ponto baixo, outro ponto baixo, outro ponto baixo, dois pontos baixos (duplos), até terminar a carreira com um ponto baixíssimo.
O número de carreiras depende do tamanho que quiserem dar à vossa base, mas o esquema é sempre este. A sexta carreira teria 4X 1 ponto baixo, 1X 2 pontos baixos (duplos), alternadamente.
Ao mudarem de cor, deverão ‘apanhar’ as pontas e esconde-las por de trás do trabalho.
Na última carreira por ser a que remata a nossa base, utilizei ponto alto.
3 pontos altos, 1 ponto baixíssimos, até terminar a carreira. Desta forma fazemos uma espécie de picô, como remate, o que embeleza o nosso trabalho.
O incrível de tudo isto, é que para além de estarmos a dar continuidade à vida de uma velha t-shirt, estamos a descontrair, enquanto fazemos peças únicas, para usar à nossa mesa e quem sabe, oferecer a alguém.
Acreditem, isto é mesmo viciante e nem imaginam a quantidade de trabalhos lindos que podemos fazer com este fio de malha, preparado por nós.
Noutras oportunidades, partilharei com vocês outros trabalhos.
Já viram como é simples?
Estarei por cá, para todas as dúvidas que tenham. Arrisque e divirtam-se.
Até breve
Fevereiro 2019
Fontes
- https://www.portugal2020.pt/Portal2020/pe-explica-a-importancia-e-beneficios-da-economia-circular
- http://eco.nomia.pt/pt/economia-circular/estrategias
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